Excelentíssimo Sr. Governador do Estado de Alagoas Teotônio Vilela Filho
Ilustríssimo Sr. Príncipe Dom João de Orléans e Bragança
Excelentíssimo Sr. Prefeito do Penedo Alexandre Toledo
Sr. Bispo Dom Valério Breda
Excelentíssimo Sr. Ex-Prefeito de Piranhas Inácio Loyola
Excelentíssimo Sr. Juiz de Direito do Penedo Claudemiro Avelino
Excelentíssimo Sr. Deputado Federal Rogério Teófilo e demais autoridade aqui presente, meus queridos amigos...
A notícia que trago é antiga e vem marcada pela ausência absoluta de ineditismo, condição imprescindível a uma boa notícia. A força de sua acontecência é que lhe dá grandiosidade e conseqüência.
Há cento e cinqüenta anos desembarcava neste mesmo porto velho e modesto do Penedo o Imperador Dom Pedro II. Chegava recepcionado, como ele próprio depõe em suas anotações, por uma roufenha banda, um terno de pífano.
Mas havia algo extremamente extraordinário na ação daquele homem. Soberano de uma nação imensa instituiu um governo, ao seu modo, revolucionário. Numa época em que reis, rainhas e outros tantos governantes primavam pela ociosidade, o comodismo, Dom Pedro palmilhava o chão de sua pátria incansavelmente. Numa época em que o florescer de repúblicas criava governantes incultos, Dom Pedro estreitava os laços de seu saber privilegiando as ciências e as artes, se fazendo amigo de Victor Hugo, promovendo viagens científicas que descobriam os mistérios de nossos rincões mais remotos.
Com perdão de filósofos e cientistas políticos, podemos falar de uma inovadora forma de governo: uma regência peripatética. Como Aristóteles, Pedro caminhava deitando ensinamentos de humildades, abria seu país para a chegada de nossas tecnologias e, humanista presos às circunstâncias retrógradas de seu tempo, buscava uma saída digna para o maior fulcro de seu tempo: a escravidão. A história hoje nos ensina que foi o fim da escravidão que desencadeou o fim do império e foi a chegada da República que inaugurou a cruel desigualdade social que ainda hoje bate à nossa porta.
Dom Pedro aqui aportou para conhecer o Baixo São Francisco, este rio a quem legou os imprescindíveis estudos de Halfed . Veio conhecer a real cachoeira de Paulo Afonso, um monumento natural de nossa colonização, de nossa dualidade de povo contraditoriamente sonhador e pragmático. Esta cachoeira que, ao tempo em que impediu nossos mais distantes ancestrais de vencerem o curso largo do São Francisca na busca do mítico El Dourado, a cidade de ouro encravada na sua nascente do imenso rio, assentou o canto onde o sesmeiro Paulo Afonso uniu as necessidades da Civilização do Couro às premências da Civilização do Açúcar.
Nós do Penedo somos formados nas contradições e aproximações entre o açúcar e o couro. E recebemos o Imperador com a força desta nossa formação, com o som arcaico do pífano e a nobreza de nossa formação cultural clássica. O saudávamos com vivas perpétuos, mas hasteamos a bandeira republicana à margem de sua cavalgada matinal. Na Rua do Melão, Dom Pedro desce de seu cavalo e beija a tal bandeira, dá exemplo de democracia e tolerância naquela que desde então passou a ser conhecida como Real Rua do Melão.
Éramos naquele instante o laço mais íntimo e seguro entre o sertão e o mar, entre o mar e a Europa. Um pujante porto comercial onde, à parte a praticidade dos homens, também se vivia de uma arte viva nas paredes barrocas das igrejas, na escultura dos santeiros, na poesia e na música que vinha das ruas. Há cinqüenta anos aqui esteve o governador Muniz Falcão, acompanhado de vasta e qualificada comitiva, para celebrar o centenário da passagem do Imperador, e encontrou ainda resquícios do apogeu.
O tempo e umas tantas incúrias nos marcou com algumas decadências. Mesmo assim nunca deixamos de lutar por um ideal que aqui se fortaleceu com a presença de Dom Pedro II. O comércio e a indústria nos dão as condições físicas e materiais para a sobrevivência, mas são a arte e a ciência que nos darão as garantias de um desenvolvimento constante e perpétuo.
A visita do príncipe João de Orleans e Bragança, um cultor da fotografia, como seu bisavô Pedro II, renova as forças de nossas batalhas pacíficas. Estamos construindo museus e casas de cultura, paulatinamente melhoramos o nível educacional de nossa gente e o turismo certeza será o passo decisivo para nossa guinada econômica. |