| |
Situado à margem do que flui (o rio) e sobre o que permanece (a rocha). Penedo é, em si mesmo, a metáfora da história e da cultura.
Da história, desde que o seu fluxo contínuo só tem sentido e destino se for referenciado pela força materna das raízes que brotam da terra e desabrocham na gente.
Da cultura, porquanto a constância aberta que pressupões é a confirmação identitária da capacidade dinâmica de ser, à maneira da terra e confirme a gente, recriamos a vida no rio e na rocha do tempo.
Penedo está situado no momento em que a natureza ficou grávida da cultura.
No princípio eram os índios, Kariri e Tupinambá no paraíso logo mais perdido. Depois chegou o tempo do nunca mais e trouxe o vaqueiro e o ribeirinho, a barcaça e o canavial, o negro e o branco ao sol do Nordeste.
Chegaram o sino e as igrejas, as pedras de cantaria e os sonhos de grandeza, o sobrados e o horizonte, a ladeira de subir e de descer.
E a decisão dos penedenses, firme como as forças das águas, de que o seu passado é o seu presente e o seu futuro, habitando lá em cima na ladeira de subir.
O Museu do Rio São Francisco é ponte (não é porto), é testemunho (não é cadáver), é a palavra (não é silêncio), é passado no presente e no futuro.
Integrado com a terra e com a gente, será a casa viva e pulsante de um tempo que respira em busca do amanhã. Seu nome é sempre.
Chalé dos Loureiros
Em restauração
Futura sede do Museu do Rio São Francisco
É uma construção típica do final do século XIX e início do século XX. Possui, entretanto, características peculiares que o tornam assaz singular, quer como expressão arquitetônica, quer como marco histórico do desenvolvimento urbano da Cidade do Penedo.

Foi construído no final do século XIX, pelo senhor J.A. Loureiro, engenheiro responsável pelas obras de implantação do serviço de abastecimento d’água da Cidade. Quando de sua edificação, era um prédio de vanguarda no país, tanto no que respeita ao estilo quanto à tecnologia utilizada. Os prédios assemelhados existentes no Brasil datam, via de regra, das três primeiras décadas do século XX.
Arquitetonicamente, insere-se no ecletismo. É um chalé urbano de influência francesa, no qual se integram elementos decorativos do classicismo. Ainda é de se sublinhar, por sua peculiaridade, a simetria da fachada principal, resultante de duas varandas laterais, e não apenas, como viria a tornar-se comum em casa do tipo “chalé”. Essa peculiaridade de planta confere elegância ao prédio e harmoniza-se com o neoclassicismo de suas portas e janelas.
Posto que necessite de restauração, o prédio conserva intactas as suas características originais. Nunca sofreu reformas que lhe alterassem pormenores construtivos ou decorativos. De tal fato, aliás, decorre parte significativa de seu valor com o registro de patrimônio histórico e cultural.
O chalé dos Loureiros foi construído com tecnologia típica da Segunda Revolução Industrial. Possui elementos estruturais e decorativos de ferro fundido, a exemplos das colunas das varandas e dos gradis, estes, especialmente ricos em detalhes. Ao lado desses elementos pré-fabricados, encontram-se outros de refinado artesanato. É o caso, recorde-se, dos lambraquins de madeira que arrematam os beirais dos telhados.
O museu será instalado em dois imóveis tombados: a sede do extinto Clube de Pesca de Penedo (foto abaixo), à beira do São Francisco; e o Chalé dos Loureiros, que receberá o centro de documentação.

|
|